domingo, 30 de maio de 2010

13 CASCAES


Organização: Flávio José Cardozo e Salim Miguel.
Autores:
Adolfo Boos Jr. (O presépio), Amilcar Neves (Uma noite de profunda insônia solitária), Eglê Malheiros (História praiana), Fábio Brüggemann (O “Minha Querida”), Flávio José Cardozo (Dois bandolins), Jair Francisco Hamms (Branco assim da cor da lua), Júlio de Q ueiroz (O abençoado), Maria de Lourdes Krieger (Ao entardecer), Olsen Jr (O diário da virgem desaparecida), Péricles Prade (Talvez a primeira e última carta), Raul Caldas Filho (Noite de encantamento), Salim Miguel (Mistério no Miramar) e Silveira de Souza (O folheto).

Depoimento:
Gelci José Coelho (Peninha).

Ilustrações: Tércio da Gama.

Aluno:
Alisson Pereira da Silva, nº 05.

E-mail: alisson_s4@hotmail.com.
Turma: IA08.

O livro 13 Cascaes é uma obra formada por 13 contos, escritos por 13 dos principais prosadores de Santa Catarina e organizados por Flávio José Cardoso e Salim Miguel, a fim de homenagear o centenário do folclorista Franklin Joaquim Cascaes (1908-1983). Cada conto é acompanhado por uma ilustração, utilizando nanquim sobre papel, feita por Tércio da Gama. Este ainda contém um depoimento sobre a vida de Cascaes, de Gelci José Coelho (Peninha), um de seus colaboradores.
Todas as histórias possuem como tema o imaginário luso-açoriano pesquisado por Franklin, com narrativas (em primeira ou terceira pessoa) que transitam entre o dramático, o cômico, o lírico e o realismo fantástico.
Nas histórias também é possível observar um tom de ironia fina, criticando problemas de preocupação geral da população, entre eles, preconceitos, problemas ambientais, entre outros.

Clique aqui para acessar a biografia de Franklin Cascaes

1º conto
“O diário da virgem desaparecida”
Olsen Jr


Um repórter, que possuía a mania de recortar matérias de Jornal com conteúdos curiosos e originais, selecionou mais uma na véspera de natal de 1978 (Adolescente desaparece sem deixar vestígios). O fato ocorreu na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. No mesmo período desapareceu um gringo argentino, vizinho desta jovem.
A redondeza cultivava boatos a respeito do gringo, diziam que possuía pacto com o demônio, decorrente das poucas informações que tinham sobre ele. Quando ocorreu o desaparecimento dos dois e a polícia não achou pistas para explicar o acontecido, os boatos ganharam força.
Dez dias após, a amiga da jovem revelou a todos a existência de um diário. A demora da entrega do diária se deve a uma promessa feita a jovem. Com isso o caso foi esclarecido, porém o pai da garota não deixou que a verdade fosse mostrada a imprensa. Contudo o repórter, utilizando-se de seus truques, conseguiu enganar a mãe da jovem e ter acesso ao diário.
Quando o pai ficou sabendo que um estranho havia lido o diário, fez questão de jogá-lo no fogão à lenha.
Ao voltar para casa o repórter continha em mãos uma cópia do diário, que era dividido em 17 partes, enumeradas por números romanos.
O diário relata que a jovem, Sibele Onsina Silveira, e o gringo, Raphael Constanzo Flores, tiveram um caso que teve como consequência uma gravidez. Os dois ficaram felizes com a notícia, entretanto, pelo fato de a jovem de 17 anos não ter contado nada a família sobre seu romance, ela ficou preocupada.
Se a jovem tivesse um filho do nada, seria considerada uma bruxa, pois as bruxas da redondeza diziam que tinham relações sexuais com o demônio, que se transformava ora em homem, ora em mulher, tendo a aparência de São Príamo, o Deus da fertilidade dos romanos.
Portanto resolveram fugir para Curitiba, e depois com a criança já nascida voltariam e explicariam tudo. Como recurso para sua despedida, Sibele utilizou o diário.
Hoje, o filho de Sibele e Raphael tem 25 anos e cursa engenharia. Quando associam o seu nascimento a um forte cheiro de enxofre no ar, ele até acha graça, embora hoje ninguém mais acredite em bruxas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário