segunda-feira, 21 de junho de 2010

Caroline K. Rodrigues - O MENINO DO PIJAMA LISTRADO

CAPITULO 2 – A CASA NOVA

Quando o menino Bruno viu a nova casa, ficou muito espantado. Lembrou-se da antiga casa em Berlim, que ficava numa rua calma, porém com várias casas parecidas com a dele, onde tinham meninos com os quais podia brincar. Mas essa casa ficava num lugar isolado, onde não conseguia enxergar nenhuma outra por perto, tinha apenas 3 andares, pequena comparada à casa de Berlim. Era como se Bruno estivesse no lugar mais solitário do mundo, no meio de lugar nenhum. Ele se lembrava de quando andava pelas ruas de Berlim e via pessoas reunidas em mesas, bebendo, conversando, onde tudo era motivo para risos, no entanto, neste novo local onde estavam, parecia que ele não veria motivos para rir nem se alegrar.
Ele arriscou dizer á sua mãe que essa mudança não havia sido uma boa idéia, mas ela lhe disse que eles tinham o luxo de achar coisa alguma, porque algumas pessoas simplesmente tomavam as decisões em nome deles. Ele não entendia essas coisas que a mãe dizia, e ela não parecia feliz em dizê-las, então, na maioria das vezes Bruno às ignorava, pois sabia que se fosse pedir respostas mais objetivas à mãe, ela não lhe daria. Deu a idéia de voltarem para Berlim, mas a mãe lhe disse que não seria possível, pois agora é ali que iriam morar, ali era o novo mundo deles, e que ele deveria subir para desfazer suas malas e arrumar seu novo quarto. Sentiu vontade de gritar, berrar que aquilo tudo estava errado, era injusto, e sentiu que as lágrimas estavam brotando.
O menino subiu e foi ajudar Maria a arrumar seu quarto. Enquanto estava conversando com ela sobre a nova casa e a decepção que aquilo causava nele, viu um homem estranho no corredor, muito sério, mais novo e mais baixo que o seu pai, mas que usava o mesmo uniforme. Ficaram se olhando, e o moço acenou brevemente com a cabeça e seguiu caminho. Perguntou a Maria que era ele e ela lhe disse que deveria ser um dos soldados do seu pai.
Novamente ele estava pensando que não havia ninguém para brincar naquele arredor além de Gretel, mas de que isso adiantava se ela era um Caso Perdido? Uma janela no canto do seu quarto lhe chamou muito a atenção, foi em direção a ela com esperanças de que pudesse ver o caminho de volta a Berlim, mas se surpreendeu ainda mais com o que viu, arregalou os olhos e sua boca ficou no formato de um O, sentiu uma insegurança e um frio na barriga.

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