O livro começa descrevendo o momento em que o pai (autor do livro) aguarda, na sala de espera do hospital, o nascimento de seu primeiro filho. Enquanto espera impaciente, ele vai recordando de momentos de sua vida e reclamando silenciosamente por muitas pessoas não perceberem suas qualidades, já que é visto como um marido sustentado pela mulher, pois seus livros (principal meio de renda dele) não alcançaram a reputação que ele deseja.
Como conseqüência disso, ele idealiza seu filho como a prova de suas qualidades, isso de certa forma lhe traz uma alegria e esperança.
Quando Felipe (nome dado ao filho) nasce ele o descreve como “um pequeno joelho respirante” assim como os outros bebês.
Em um momento que está toda a família reunida no quarto do hospital, um dia após o bebê nascer, entram no quarto dois médicos, um está segurando o recém-nascido. Os dois estão muito serio para um momento tão feliz como aquele. Então o medico coloca a criança sobre a cama e começa a falar:
- “Algumas características... sinais importantes... vamos descrever. Observem os olhos, que tem as pregas nos cantos, e a pálpebra obliqua... o dedo mindinho das mãos, arqueado para dentro... achatamento da parte posterior do crânio... a hipotonia muscular... a baixa implantação da orelha e...”
Nesse momento o pai já nem presta atenção no que o medico diz, pois a única coisa que passa em sua cabeça é a dissertação de mestrado de um de seus amigos, que ele corrigiu. O trabalho tratava sobre a trissomia do cromossomo 21, ou Síndrome de Down, onde naqueles anos era tratada popularmente como “mongolismo”.
Aquilo foi um balde de água fria em sua vida, ele não queria ter um filho “mongolóide”. Durante as semanas que passaram, ele descreve no livro os sentimentos e idéias que passaram por ele de uma forma fria e cruel. A esperança de que o filho morresse cedo era grande e lhe trazia certo conforto e otimismo, já que pessoas com essa síndrome não tinham naquela época uma expectativa de vida tão alta como a de hoje. Ele fantasiava o filho com uma forte doença, o médico dando a noticia de que o bebê não aguentara e falecera, o enterro em um grande campo verde, os familiares dando os pêsames...
A maneira em que ele descreve isso no livro, passa ao leitor a sensação de que ele não amava nem um pouco o seu filho e que o que ele mais queria era se livrar daquele peso.
O pai também tinha esperança de que o resultado dos exames mostrasse que o Felipe só tinha as características físicas da síndrome, mas que fosse uma criança normal em relação ao resto.
Isso não ocorreu, o bebê realmente tinha a síndrome, e sua saúde, para a decepção do pai, estava ótima. A partir desse momento os pais começam a buscar um tratamento que estimule o filho, desenvolvendo o Maximo possível as características mental e física de Felipe.
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