CAPÍTULO 1 – BRUNO FAZ UMA DESCOBERTA
Certa tarde, Bruno chegou em casa e encontrou Maria, a governanta da família, tirando seus pertences do guarda-roupa e colocando em caixotes de madeira. Ele não gostava que mexessem nas suas coisas, principalmente aquelas que ele guardava no fundo e que apenas a ele pertenciam. O menino foi pedir explicações a mãe - uma mulher alta, de longos cabelos ruivos, presos numa espécie de rede atrás da cabeça – que não hesitou ao dizer que Maria estava arrumando as malas do menino. Por um momento Bruno procurou lembrar-se das últimas semanas que passaram para ver se havia sido mal educado, cometido algum erro, ou algo que justificasse ele estar sendo mandado embora. Sua mãe logo lhe explicou que Bruno não era o problema e todos – mãe, pai, Bruno e Gretel - iriam deixar aquela casa localizada em Berlim e partiriam para outra cidade da Alemanha devido ao trabalho de seu pai. Disse também – assim como costumava dizer sempre – que o emprego que ele possuía era muito importante e isso fez com que Bruno se lembrasse dos visitantes que sempre recebiam em casa – homens com uniformes fantásticos e mulheres com máquinas de escrever, sempre muito educados, dizendo que o Fúria¹ tinha muitos planos para ele. E era apenas isso que ele sabia da profissão do pai.
Na escola, todas as crianças sabiam dizer especificamente com o que o pai trabalhava inclusive seus três melhores amigos, Karl, Daniel e Martin, enquanto Bruno pouquíssimo sabia sobre isso e não ser dos uniformes fantásticos e dos planos que Fúria tinha para ele. Ele ficou muito decepcionado quando a sua mãe lhe disse que ele teria que se despedir dos melhores amigos, aos quais Bruno se referia como “eles são meus três melhores amigos da vida toda”. A mãe logo quis dar fim ao assunto, mesmo que Bruno ainda quisesse muitas explicações sobre a má notícia que recebera. Bruno saiu e foi em direção ao corrimão da escada, o qual ele considerava ser a melhor parte da casa, pois era uma diversão descer do último andar até o térreo, com certeza sentiria falta dele.
Pensou nos seus avós que moravam tão perto, desejando que eles também fossem junto até o novo trabalho de seu pai, mas já Gretel² ele preferia que ficasse ali cuidando da casa, pois ela era mesmo um Caso Perdido*. Enquanto Bruno subia as escadas até seu quarto viu sua mãe entrando no escritório do pai, onde era “Proibido Entrar em Todos os Momentos Sem Exceção”*. Escutou os dois gritando e logo percebeu que aquilo era uma briga e que seu pai, com sua voz sempre muito mais alta do que a da mãe, dava fim as brigas.
*OBSERVAÇÕES: Algumas características já estão notáveis. Nos casos de “Caso Perdido” e “Proibido Entrar em Todos Momentos Sem Exceção” é como se ele estivesse dando nomes próprios para as características de Gretel e o escritório do pai, de forma que isso sirva para enfatizar que ele implica com a menina e que o escritório é um lugar inacessível à ele. É possível interpretar que essas características transformadas em nomes próprios substituem o nome certo dos objetos ou das pessoas aos quais Bruno se refere, sendo algo da sua própria consciência.
1 FÚRIA: Não consegui entender quem seria essa pessoa, então busquei na internet e encontrei que “Fúria” seria uma conexão com o nome “Führer”, palavra associada à Hitler, que a usou para se designar líder da Alemanha Nazista. A palavra fúria possui uma imagem metafórica atada a ela, a qual o autor pensou ser apropriada para descrever o personagem central do nazismo.
2 GRETEL: Durante o primeiro capítulo não é possível saber quem realmente é Gretel, mas nos capítulos adiantes especifica-se que ela é a irmã mais velha de Bruno, com 3 anos a mais do que ele.
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