4ª postagem sobre o livro 'Orgias'
'Os frutos do ócio': Conta a história de um homem que, desde a sexta-feira antes do carnaval até a quarta-feira de cinzas, deseja não ser incomodado pelas festas no período, e aproveita o tempo livre para pensar nas coisas da vida. Para tal, iniciou um relaxamento ritual hindu, visando abandonar as tensões de vários dias de trabalho acumuladas em seu corpo. Após dormir por 15 horas, acordou com a primeira das três revelações que teve: a prova de que a Criação foi imperfeita é a existência das unhas dos pé, pois esta é a única coisa absolutamente inútil de todo o corpo humano. Mais 17 horas dormindo, e a segunda revelação surgiu: a unha do pé possui uma função de extrema importância para o ser humano, porém esta será revelada apenas no fim dos tempos. Depois de dormir por mais 20 horas, acordou com coceira no tornozelo esquerdo e, enquanto tentava se lembrar de qual era a 3ª revelação descoberta por ele, coçava o tornozelo com a unha do dedão do pé.
'Confissões': Todos os sábados, quatro amigos de longa data se reuniam para 'beber, almoçar, beber, conversar e beber'. Geralmente conversavam sobre coisas sem muita importância, porém, com o passar dos tempos, as conversas foram ficando cada vez mais sérias. Como bebiam demais, acabavam revelando coisas inimagináveis e brigando após acusar um ao outro por mágoas antigas. No final das contas, só não partiam para a briga por não terem a mínima condição pelo estado que se encontravam, além de, no dia seguinte, esquecerem das coisas ditas no dia anterior. Assim, todos os sábados se reuniam e sabiam que tinham razões para se odiarem, só não sabiam quais. Algumas vezes, alguns trechos das conversas eram lembrados, mas não se tinha idéia do autor da frase nem a quem esta se destinava. Decidiram então que, por sorteio, um dos quatro ficaria sóbrio para anotar as conversas dos outros três. No sábado seguinte, viram que a idéia não deu certo, já que, como também ficara bêbado, a letra do companheiro estava quase que completamente ilegível, salvando-se apenas a frase 'o pior corno é o que a mulher trai com um alfaiate', que ninguém se responsabilizou. Procurando resolver o problema, pediram para que o garçom, quando percebesse que os amigos estavam bêbados, ligasse o gravador, para que pudessem escutar as conversas na semana seguinte, guardando depois o gravador. No sábado seguinte, ao começarem a escutar as gravações, não se entendia nada, já que todos falavam ao emsmo tempo, até que a voz de um dos quatro se destacou, enquanto contava a história dele com Nonô. Ao começar a contar os fatos, o marido de Nonô desligou o gravador, pediu para esquecerem da idéia e do gravador, além de deixar claro que 'a vida é muito curta'.
'Aleluia': a crônica nos fala que passamos o ano inteiro fantasiados, e realmente mostramos quem somos apenas em festas, como o carnaval. É como se o super-homem se fantasiasse de Clark Kent o ano inteiro. Assim, o autor começa a apresentar as diversas fantasias do nosso dia-a-dia, como se, por exemplo, Clóvis Bornay fosse, na verdade uma ave-do-paraíso chamada de Kraktundá, e estivesse concorrendo num concurso de fantasias: 'Kraktundá e a sua fantasia de Cidadão. Os sapatos são de couro sintético. Notem o detalhe das meias combinando com a gravata e a originalidade do lenço brotando do bolso do paletó[...]'. O autor também cita outras 'fantasias', como Hans (Tirolês Estilizado fantasiado de tecnico contábil), Maku (Guerreiro Havaiano fantasiado de gari da prefeitura), Idalina (Favorita do Sultão fantasiada de comerciária), entre outros.
'O nostálgico': Conta a história de um pai de família que chega em casa com a roupa suja e uma camiseta de um bloco da Bahia após 'fugir de casa' no carnaval. Quando foi se explicar para a mulher, ela interrompeu e resolveu chamar os filhos. Quando o marido foi começar outra vez, foi interrompido novamente para a mulher chamar, desta vez, os vizinhos. Depois disto, o marido viu a mulher sorrindo, quando o mesmo achava que elvaria uma bronca. Então a mulher fala que ele 'é uma anedota antiga. Marido que foge no carnaval e volta com uma explicação ridícula. Isso é pura nostalgia'. Após o pedido de um dos filhos para que o pai pudesse se explicar, a mãe parou de falar. O pai no início hesitou, porém deposi falou que fora sequestrado por aliens e, quando percebeu, estava atrás de um trio elétrico em Salvador, e depois deixado em casa pelos mesmos aliens. Após ser aplaudido pelo vizinho, a mulher o mandou tomar banho. Horas depois, arrombaram a porta do banheiro e viram que o marido saira pela janela, mas, para sua sorte, a nave espacial estava por perto.
'Ano-Novo': A crônica fala das diversas superstições de como entrar no Ano-Novo, como comer lentilha nos primeiros minutos do novo ano. Na Espanha, é costume comer uma uva para cada badalada do relógio, costume este que chegou na Bulgária, mas com uma tradução falha lá é consumido um melão para cada badalada. Se o champanhe não estourar na meia-noite e alguém da família se chamar Edgar, sua casa será arrasada por uma manada de elefantes e sua champanhe estará choca. Na Rússica, após o brinde de Ano-Novo com vodca, os convidados jogam as taças na parede e depois se irritam por não ter mais copos na casa, e assim jogam o anfitrião na parede. Na Polinésia, o guerreiro mais aldaz deve levar a virgem mais bonita para a boca de um vulcão como um sacrifício aos deuses. Pela caminhada ser longa, faz-se uma pausa e, na chegada do topo do vulcão, estabelece-se um paradoxo: se o guerreiro era audaz, a moça não é mais virgem; se a moça é virgem, o guerreiro não era audaz, assim o sacrifício sempre fica para o ano seguinte. Não se pode esquecer que, se estiver na virada do ano junto com o patrõa, seja o primeiro a desejar-lhe um bom ano novo, dançar com a mulher dele, propor vários brindes, dançar com ele e insistir que está sóbrio. No dia 1, você não lembrará de nada, e no dia 2 procurará outro emprego. Também são feitas previsões na virada do ano, sendo uma mais fácil que as demais: a ressaca do dia seguinte.
'Hipóteses': esta crônica conta duas hipóteses do que poderia acontecer no caso de uma mulher trair o marido an própria casa, e este marido voltar antes do esperado. Seu amante, então, se esconde dentro do armário. Na primeira hipótese, o amante esquece o telefone na mesa-de-cabeceira da cama e, enquanto a mulher recepciona o marido, o celular toca. Os dois falam não saber de quem é o telefone, então o marido resolve atender a ligação, que era da mulher do amante. O homem, então, disfarça-se do amante e faz a mulher do outro lado da linha pensar que seu marido fora sequestrado. Já na segunda hipótese, o amante da mulher leva o telefone para o armário, mas o mesmo toca lá dentro. Assim, o marido da mulher escuta o som e pergunta sobre o barulho, enquanto sua mulher fala que é o telefone do vizinho. Após o telefone parar de tocar, homem fala que o som vinha do armário, então sua mulher diz que era um ladrão escondido no armário que estava com o telefone. Após isso, a mulher fala para o marido correr até a cozinha pegar um facão para se defenderem do suposto ladrão, porém o marido diz para a mulher ir até a cozinha enquanto ele segurava a porta do armário. Assim, os dois ficam discutindo, até o marido chegar na hipótese de não ser um ladrão, já que seu lado da cama estava quente. Como conclusão, o autor chega na idéia de que a invenção do telefone foi um completo fracasso.
'Comemoração': esta é uma das crônicas mais curtas do livro. Fala de um jogo de futebol, com sete homens para cada lado enquanto as mulheres assistiam. Todos os homens já tinham barriga e pouco fôlego, menos o Arruda, que era magro, ágil, e estava em boa forma. O restante do time só correu depois que Arruda conseguiu fazer um gol. Todos empilharam-se em cima do Arruda para comemorar o gol. Após tentar se levantar, o derrubaram outra vez. Quando seu time saiu de cima, veio o time adversário e também pulou no bolo para cumpimentá-lo. Depois de tanta festa, Arruda teve que sair de campo, sendo amparado pelas mulheres, que estavam indignadas. 'Na hora do churrasco, o Arruda ainda não estava totalmente recuperado da comemoração. Para aprender'.
'A primeira pessoa': a crônica fala da primeira pessoa do universo. Na época, não exstia nem a segunda pessoa do singular, já que Deus não poderia ser chamado de 'tu', apenas de Senhor, existindo asism apenas o 'EU'. Assim, o mundo era 'uma gramática em branco', pois só existiam verbos na primeira pessoa. Cansado, perguntou para Deus o que fazer, e recebeu como resposta que deveria apenas existir. Assim, surgiu a primeira sensação humana: o tédio. Deus, vendo que o homem ficara entediado, deu-lhe um passatempo: dar nomes as coisas. Vendo que não estava sendo uma boa idéia, Deus mandou-lhe parar e falou para procurar algo a se fazer. Assim, Deus viu que criou um problema. Para resolvê-lo, Deus perguntou ao homem o que ele queria, e recebeu como resposta um 'não sei'. Mesmo com todas as coisas existentes apenas para ele, o homem sabia que lhe faltava alguma coisa e, resmungando, falou que não tinha pedido para nascer. Foi quando Deus suspirou, criando o vento, e pensou: 'filho único é fogo'. Com isso, o homem deu a idéia de se criar outra pessoa para dividir tudo o que ele tinha. Assim, com esta nova pessoa, estariam sendo criadas outras cinco, para efeitos gramaticais. Fazendoa vontade do homem, Deus o colocou para dormir e, quando ele acordou, viu que tinha um irmão ao seu lado. Mas, ao analisar com calma, percebeu que era uma cópia defeituosa, pois neste novo ser faltavam coisas que o homem tinha e existiam coisas que o homem não tinha. Ao perceber o erro, Deus sugeriu 'concertar' a cópia, porém o homem falou que não havia necessidade. Assim, surgiu o amor, a segunda sensação humana. Juntos, os dois inalguraram diversos verbos que estão em uso até hoje, porém foram vetados por Deus na hora de escolherem seus nomes: ao comunicar a Deus que o nome da mulher seria Altimanara e seu nome seria Mastortônio, o homem escutou Deus limpar a garganta (surgindo assim o trovão) e falar que seus nomes seriam Eva e Adão. Mesmo assim, as duas criações se chamavam de Titinha e Totonho. Foi Eva quem ofereceu o fruto da Árvore do Saber para Adão, fruta esta que Deus proibira de tocar, porém colocara no meio do Paraíso. Adão resistiu no início, mesmo com Eva segurando a fruta contra o peito. Adão sabia que se comessem a fruta perderiam a inocência e virariam mortais, mas com isto surgiu a terceira sensação humana: a curiosidade. Sabendo que desobedeceram as ordens, Deus expulsou Adão e Eva do Paraíso, e até hoje perguntam para Adão se valeu a pena trocar os privilégios de ser a única pessoa no mundo pelo prazer de conjulgar com outra e conviver com sensações de envelhecimento e morte, mas até hoje Adão não sabe uma resposta concreta para isto.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário