sábado, 10 de julho de 2010

O homem que calculava (Parte IV) - Paulo Correa de fraga Neto - IA08

Deixaram a Hospedaria do Marreco e se dirigiram à rica morada do ministro do rei o vizir Ibrahim Maluf, onde Bagdáli ficou espantado com a beleza do palácio descrevendo-a em detalhes, sendo guiados por um escravo, encontram o ministro do rei a palestrar na companhia de dois amigos, sendo um deles o xeque Salém Nasair. O dono da residência os receberam com demonstrações de viva simpatia, foram apresentados ao homem da medalha, um dos amigos do ministro o qual não os conhecia, souberam mais tarde que se tratava de um brilhante profeta por nome de Iezid Abdul-Hamid amigo e confidente do califa Al-Motacém. Este poeta não acreditava nas façanhas prodigiosas dos cálculos, neste momento o vizir propõe uma prova a Beremiz, conduzindo-o até uma das varandas do palácio. Após avistar uma grande quantidade de camelos, o calculista deveria dizer a todos a quantidade exata de camelos que, sendo que era do conhecimento do vizir a quantia certa, o qual revelou aos ouvidos do poeta tal quantidade, era de se verificar tamanha dificuldade devido à agitação em que estavam as alimárias.



O que parecia tão difícil, Beremiz, calculou com precisão e de uma forma mais interessante, pois ao invés de contar pelas cabeças, fez os cálculos contando as pernas e em seguida as orelhas, chegou ao número correto de 257 camelos, entusiasmando ao vizir. Beremiz fez uma sugestão ao vizir para que se retirasse dos 257 um camelo que era defeituoso, após saber da própria boca do vizir a idade de sua noiva Astir, a qual tinha 16 anos, o calculista justificou-se fazendo uma relação do número 16 - idade da moça – com o número 256 (o restante dos camelos), pois 256 é exatamente o quadrado de 16, pois deste modo o presente oferecido ao pai da encantadora Astir tomará feição matemática.



Alguns dias depois de encerrados os trabalhos no palácio do vizir, ambos foram a um suque (local onde ficavam as lojas e tendas dos mercadores, onde Beremiz interessou-se por um turbante que estava a venda por 4 dinares, na tenda de um mercador corcunda, mais pela coincidência que havia no significado dos dizeres "Os quatro quatros" que estava na tenda, em seguida Beremiz começou a explicar a Bagdáli as coincidências mostrando que com quatro quatros é possível formar qualquer número. O corcunda que acompanhava a explicação e vendo a habilidade de Beremiz, ofereceu ao calculista o turbante de presente se resolvesse o mistério que havia em uma soma que há dez anos lhe torturava o espírito. O corcunda havia emprestado 100 dinares, 50 a um xeque de Medina e os outros 50 a um judeu de Cairo.


A sua tortura consistia em não entender o porquê que ao pagar a conta, a soma dos saldos devedores e dos valores pagos pelo medinense resultava corretamente em 50, ao passo que as somas do judeu cairota não resultava corretamente 50, mas passando uma unidade na soma dos valores pagos, não sabendo explicar o surgimento deste 1. O calculista esclareceu-lhe que nas contas de pagamento, os saldos devedores não tem relação alguma com o total da dívida, demonstrando numericamente, em instantes, exemplos desta explicação. O mercador alegrou-se pela explicação e em seguida cumpriu sua promessa, oferecendo ao calculista o lindo turbante que valia 4 dinares.

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